artigos

Artigos

Artigos, monografias e textos escritos e inseridos por VOCÊ!

#4. COMO ORGANIZO O REPERTÓRIO DE DCS PARA UM ENCONTRO

Um breve relato de como organizo o repertório de DCS para um encontro.


Publicado em 29/02/2020

Estela Maria G. P. Gomes


#4. COMO ORGANIZO O REPERTÓRIO DE DCS PARA UM ENCONTRO

Eu gosto de preparar uma sessão de danças construindo uma história que se conecte ao tema (já falei sobre isso nos posts anteriores) e que faça sentido para mim e para o grupo.
Por isso busco antes de tudo conhecer o grupo, saber quem vai dançar, faixa etária, interesses e o que mais puder saber sobre as pessoas que irão participar antes de iniciar. Às vezes isso não ocorre, não sei quem vai participar, então abro um leque grande de possibilidades, danças bem variadas para todas os gostos.
Com o grupo reconhecido, a intenção do trabalho estando clara, o tema escolhido e o repertório então sigo para a ordenação. Estas coisas se misturam, não necessariamente faço nesta ordem, às vezes já escolhi a dança que vou encerrar antes da que inicia, mas temos alguns aspectos a observar que podem auxiliar tudo isso.
Algumas estruturas de passos e gestos que são dançados auxiliam os próximos movimentos, então gosto de observar estas estruturas que podem auxiliar as danças que vem a seguir, sinto que isso pode auxiliar na organização.
Costumo começar e encerrar um encontro de danças de forma muito simples, com danças de mãos dadas onde o grupo se conecta e não preciso estar no centro em nenhum momento. Gosto de sentir que faço parte do grupo, em alguns momentos ir ao centro e voltar para dançar com todos.
Depois da primeira dança busco fazer com que as pessoas se conectem ao seu corpo-mente-alma, percebam como estão chegando naquele momento, sintam o espaço...o Método Harmony de Nanni Kloke tem enriquecido muito minha bagagem neste sentido, tanto para utilizar o que aprendo com a Nanni como para criar exercícios e movimentos que ampliam a percepção e consciência corporal e interior. Uso músicas que amo, escuto violões, pianistas incríveis e muita música para relaxamento.
Depois sigo com danças que nos conectam cada vez mais ao tema em seus aspectos internos (que digam respeito a nossa individualidade) e externos (que ampliem para a relação com o outro, com o grupo, com a comunidade e com a vida).
Aprecio ir aumentando o nível de complexidade aos poucos, trazer as danças mais animadas e de pares por volta da metade do encontro e ir acalmando ao final. Isso nem sempre, lógico. Se a seguir o grupo terá uma outra atividade onde é necessário mais adrenalina, então encerro no auge da alegria e animação. Como trabalho numa escola (mesmo que seja aberta) é importante fazermos a ligação da nossa atividade com o que vai ocorrer depois.
Muito importante: sempre escuto o grupo. Se querem repetir uma dança repetimos, se querem fazer de novo em outra configuração como em círculos concêntricos buscamos construir...afinal o encontro é nosso, depende de cada um que está ali presente! Prefiro escutar o grupo do que seguir a seleção que escolhi, às vezes não dá tempo de dançar todas as danças que preparei, isso ocorre muito para mim. Escutar o grupo é uma arte a parte e merece outro post...
Também costumo enxergar um desenho ampliado das formas que estamos desenhando no espaço, com olhos de drone vou caminhando de um círculo, para dois, três, variando formas, círculos concêntricos, vários círculos no espaço...Às vezes uma dança pula e vem sabe-se lá de onde querendo ser dançada. Tento pensar se sei onde ela está no iPod e se está no meu corpo-mente-alma. Busco incluí-la e depois escuto depoimentos incríveis do grupo. Mistérios do invisível.
Busco encerrar com alguma dança que nos traga um sentido de pertencimento e união como a Dança do Sol, Dança do Agradecimento, as que encerram num abraço, com todos próximos ao centro como em Pedacitos de Sol ou braços elevados junto ao centro...são infinitas danças portanto muitas possibilidades.
Não pense que faço sempre assim, aqui estou compartilhando como geralmente faço...mas como já disse também gosto de variar. Comparando com uma receita de bolo não basta ter os ingredientes e o modo de fazer, a gente precisa é exercitar! E muito...daí vamos construindo nosso próprio jeito de focalizar.
Um dos segredos que compartilho é: seja você! Construa a sua própria história, que faça sentido inicialmente para você, usando sua própria verdade e seu amor. Entregue, confie, aceite e agradeça como já disse o professor Hermógenes do Yoga.
Assim organizo a seleção de danças, com cuidado amoroso, intuição e conexões seguindo sempre a voz da minha alma...


artigos   Artigos do autor

29/02/2020 - #1. Escolha de um tema de DCS

29/02/2020 - #2. CONSTRUÇÃO DO CONTEÚDO DE UM TEMA DE DCS

29/02/2020 - #3. A ARTE DE CONSTRUIR O REPERTÓRIO DE DCS

29/02/2020 - 5# A ARTE DA ESCUTA DOS GRUPOS

16/08/2012 - Dança

13/02/2015 - O focalizador e o cuidado amoroso