artigos

Artigos

Artigos, monografias e textos escritos e inseridos por VOCÊ!

O próximo passo no trabalho de cura de traumas através do corpo

A dança pode desempenhar um papel extremamente poderoso ao complementar, ampliar e até transformar o trabalho de cura das memórias de trauma através do corpo. Tradução do artigo original de Stefan Freedman


Publicado em 23/02/2026

Laís Lima


O próximo passo no trabalho de cura de traumas através do corpo

Tradução do artigo original de Stefan Freedman: https://www.dancewise.org/post/the-next-step-in-embodied-trauma-work

Há um crescente interesse pelo trabalho de cura de traumas através do corpo. Conferências online apresentam excelentes palestrantes - comunicadores inteligentes e pesquisadores pioneiros em seus campos.

Infelizmente, muitas dessas vozes respeitadas parecem compartilhar um ponto cego: raramente mencionam a dança. E, no entanto, a dança poderia desempenhar um papel extremamente poderoso ao complementar, aumentar e até transformar esse trabalho.

Com base em que faço essa afirmação? Os grandes representantes da cura de traumas através do corpo tendem a focar em áreas principais que são trabalhadas lindamente na dança:

1. Acalmar e ativar o nervo vago: Dançar é uma das formas mais naturais e prazerosas de regular o sistema nervoso. Música, ritmo e movimentos suaves convidam a uma sensação que nos traz ao mesmo tempo segurança e vitalidade.

2. Percepção somática: Como o trauma frequentemente faz com que as pessoas se sintam "fora do corpo", entorpecidas ou desconectadas das sensações, o trabalho somático é essencial. A combinação de música e movimento na dança desperta emoções, sensações e presença — convidando-nos a voltar para nossa própria pele.

3. Trabalho com "partes" e Sistemas Familiares Internos: Através da dança, podemos incorporar diferentes aspectos de nós mesmos — diferentes humores, papéis e vozes internas — e explorá-los com compaixão e curiosidade. O movimento torna-se uma linguagem pela qual nossas "partes" podem se encontrar e conversar.

4. Restaurar a confiança social: A dança é, em essência, relacional. Ela constrói confiança, corregulação e alegria no espaço compartilhado. Quando o ambiente é seguro e inclusivo, movimentar-se com o outras pessoas torna-se um convite gentil para o pertencimento.

5. Reconstruir a coerência: Um dos efeitos mais dolorosos do trauma é a perda da coerência interna — a sensação de que pensamentos, emoções e ações podem fluir juntos. A dança, como a música, é rica em padrões e ritmos. Ela desperta novamente esse senso interno de ordem e conexão.

Existem evidências sólidas de que pessoas que sofrem com Parkinson, Alzheimer ou efeitos de um AVC frequentemente apresentam melhoras notáveis através da dança e do movimento rítmico.

Diante de tudo isso, por que a dança ainda é tão raramente mencionada nos círculos mais famosos de cura de traumas através do corpo?

Talvez isso venha de uma associação: para muitos, a dança lembra o mundo competitivo e performático da técnica e do julgamento. No entanto, a dança como liberação de traumas é exatamente o oposto — cooperativa, inclusiva e sem julgamentos.

Como gostamos de dizer neste campo: "não existem erros, apenas variações" — uma frase que cunhei originalmente e que, desde então, foi amplamente adotada internacionalmente.

Passou da hora de revelarmos esse tesouro escondido. A dança oferece caminhos profundos e cheios de alegria para a cura de traumas. Todas as comunidades indígenas e pré-industriais sabem disso e fazem pleno uso desse recurso poderoso. Agora o mundo moderno precisa alcançá-las!

Stefan Freedman


artigos   Artigos do autor

05/01/2026 - A linguagem compassiva no cuidado da roda de Dança Circular: reflexões de uma focalizadora

04/08/2025 - Dança Circular nos parques de São Paulo: como desacelerar na cidade que não para