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#3. A ARTE DE CONSTRUIR O REPERTÓRIO DE DCS

Um pequeno relato sobre a arte de construir um repertório de DCS.


Publicado em 29/02/2020

Estela Maria G. P. Gomes


#3. A ARTE DE CONSTRUIR O REPERTÓRIO DE DCS

Essa arte é feita de mente-coração-corpo-alma. Tudo junto e misturado colocado num grande caldeirão onde ficará cozinhando por dias e meses, às vezes anos.
Para mim a escolha das danças é como um desenho de uma espiral que começa grande por fora, vai diminuindo, chega no centro-essência e depois começa de novo a expandir...diferente do tema que veio lá do centro- essência e se expandiu para depois retornar...
Se você ainda não leu os outros posts desta série e está chegando agora eu já contei sobre a escolha de um tema e depois sobre a construção do conteúdo. E agora sigo com quais danças vamos dançar para viver o tema em nós?
Faço um pesquisa grande no meu material das danças...2020 são 25 anos de danças circulares dançadas em mim e em tantos grupos...
Algumas danças vivenciadas mais recentemente me escolhem para ser dançadas no tema...até alguma delas pode ter ajudado o tema a nascer. Outras são buscadas na memória da alma, às vezes não lembro o nome, é preciso ir buscar nos materiais antigos, nos baús esquecidos, nas apostilas físicas, no armário das DC. É...eu tenho um...que é uma bagunça, acredita? Eu, tão organizada hehehe.
Daí também preciso pedir ajuda às amigas, tem umas bem especiais que me ajudam tanto...nem sei o que seria de mim sem elas...
Ah e tenho o privilégio de fazer parte de um grupo de estudos há anos que vem estudando e preparando os materiais de forma mais sustentável e virtual. Esse é um lindo jardim que amo demais!
Assim vou colhendo as danças a partir desse brainstorm inicial. Nas minhas escolhas lógico que não faltam danças que nos conectem à natureza, tanto a interior quanto a que podemos ver fora...A seleção fica grande...e para lapidar???
Momento difícil: escolher umas e descartar outras. Converso com elas aos poucos, elas não querem sair do tema. Mas não aprecio ficar com muitas danças, para mim menos é mais. Pelo menos neste caso! Então abro meu coração e intuição para fazer estas escolhas...eles sabem fazer isto melhor do que minha mente.
Para dançar um tema durante um semestre por exemplo (num círculo de 2h semanais) tenho ficado com uma média de 16 danças incluindo a de abertura.
Já num círculo de 2h com intervalo de 15min tenho ficado com 7 ou 8 danças. Coloco na seleção uma ou duas a mais e sinto durante a vivência o que o grupo me convida a compartilhar.
Os elementos principais dessa minha arte: AMOR, CONEXÃO e DIVERSIDADE. Amo danças contemporâneas e tradicionais, amo danças de mãos dadas e de mãos soltas, amo danças introspectivas e as expansivas, amo danças de filas, de espirais, de duplas, de grupos pequenos, um círculo, dois ou mais, amo gestos e movimentos com sentido, amo me conectar às belas músicas e amo os desafios...conexão com a alma, comigo, com a comunidade, com a natureza, com tudo que existe, com a história, com a arte, com a vida...
Aprecio muito a diversidade do trabalho de tantos focalizadores e muitas vezes quero colocar uma dança de cada um...a beleza da diversidade de cada um ser quem é.
Para mim a seleção precisa conter simplicidade e complexidade, danças bem simples que logo dançarão em nós e outras mais desafiantes como nas experiências da vida, que vão levar mais tempo para dançarem em nós.
E um amigo querido sugeriu que colocasse pelo menos uma dança mais terra para que os homens do grupo se conectassem facilmente a ela.
Então no repertório precisa ter um ingrediente de cada destes todos aí...
Em cada sessão de DC também busco trazer pelo menos uma dança tradicional. Sinto uma qualidade profunda e especial nestas danças antigas. A força de Ena Mythos é impossível definir em palavras...é como se abrisse as histórias: era uma vez...
Uma dança vai pedindo outra, como uma frase pede outra, costumo construir histórias a cada sessão de dança. Com o fio condutor do tema e as costuras e conexões entre elas e o que pode nascer daí...as amigas dizem que esta é uma das qualidades que possuo, conectar uma dança na outra...tecer histórias e conexões através das DC.
E o que me impulsiona para seguir é a vontade de compartilhar tudo isso com a família dançante de amigas e amigos!
Essa arte toda precisa ser compartilhada para trazer luz e amor, alegria e reflexão, autoconhecimento e transformação para sermos verdadeiramente quem queremos ser no mundo!


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