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Minha primeira Dança Circular Sagrada

Um registro poético do primeiro contato com as Danças Circulares Sagradas, ocorrido em 2007.


Publicado em 23/04/2011

Deborah Dubner


De Mãos Dadas, experenciei compaixão.
De Mãos Dadas, experenciei expansão.
De Mãos Dadas, experenciei união.

Tive o privilégio de participar da Dança Circular Sagrada, focalizada por Renata Ramos, que esteve em Itu no Zencontro/2007 e desenvolve este trabalho no Brasil desde 1993. Renata tem o dom de transmitir força com delicadeza, poder com simplicidade e beleza com profundidade.
 
 
 
As Danças Circulares Sagradas, ou Danças dos Povos, resgatam músicas regionais e folclóricas dos diversos povos do Planeta e conectam as pessoas em roda, através do singelo gesto de dar as mãos e olhar nos olhos. Em tempos de tantas ofertas sedutoras e tecnológicas, com outdoors brigando por um lugar ao sol, chega a ser ingênuo pensar que algo tão “simples” possa ser interessante. Realmente, não é interessante apenas. É impactante.
 
Durante uma hora, experimentei pela primeira vez a Dança Circular Sagrada, que eu já tinha ouvido falar muitas vezes, embora nunca tivesse “entrado na Roda”. Foi só quando dei o primeiro passo ao som de uma música grega que me abraçou no mais fundo da alma, olhei nos olhos da pessoa que estava à minha frente e vi toda a sua grandeza, é que eu entendi, em segundos, o poder dessa proposta.
 
Deixei-me levar pelo tênue fio de música que me conduzia, sentindo a ancestralidade à flor da pele, me conectando com todas as cores, raças, tempos e espaços, acessando outros níveis de consciência e percepção.

Não é por acaso que esse movimento tenha se espalhado tanto pelo Brasil nos últimos tempos. Afinal, em uma época em que as pessoas estão em busca de caminhos para harmonizar as diferenças, uma proposta como esta cai como uma luva. É como visitar uma outra cultura pela porta da frente. Em questão de instantes, entramos em sua intimidade através do mágico caminho do som, transportando-nos para um lugar talvez já visitado, mas momentaneamente esquecido. Fica difícil passar em branco!
 
Pode ser que nem todos tenham se encantado como eu. Pode ser que esta experiência não seja percebida em sua rara beleza, já que as nossas portas de proteção nem sempre sabem quando precisam baixar a guarda. Estamos tão acostumados a morar na segurança do nosso quarto fechado, que por vezes nem reparamos quando trombamos com um pássaro voando em liberdade. Por hábito ou medo, preferimos ignorá-lo ou aprisioná-lo, em vez de voar livremente ao seu lado.
 
A Dança dos Povos é como uma ave desenjaulada, que com suas asas cintilantes clama pelo canto livre de todos os seres da terra e do céu. O meu desejo é que esse pássaro voe cada vez mais alto e mais longe, por todas as tribos, por todos os cantos. E que, na sua mais pura inocência, continue acreditando que cantar, dançar, olhar nos olhos e dar as mãos é – ainda – a maior ponte entre os homens.
 
Foi assim que me aconteceu.

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