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DANÇANDO A GRATIDÃO - MINHA HOMENAGEM ÀS DANÇAS CIRCULARES


Publicado em 05/07/2026

Deborah Dubner


Há 18 anos tenho dançado a gratidão. As Danças Circulares chegaram até mim em 2007 como um vendaval de flores ventando minha vida e arejando tudo. Mas a gratidão foi chegando de mansinho, em pequenas doses, para que eu pudesse aos poucos compreendê-la e saboreá-la.
Sei que a via de acesso a este sentimento profundo foi através das Danças Circulares, como a muitos outros. Afinal, é neste espaço sem portas e neste tempo sem relógio que a dimensão da minha alma ganhou amplitude. E quando a alma conecta e expande, não há outra linha de chegada senão a Gratidão, que derrete por dentro e transborda encanto.
Dedico este texto a tudo o que as Danças Circulares representam em minha vida. Prometo escolher palavras fiéis, para tentar traduzir o intraduzível.
Agradeço em primeiro lugar a maestria de tantas pessoas que me
ensinaram nas rodas, desde um lugar de aprendizagem que me empoderou em vez de me apequenar. Nas relações, o convite ímpar de aprender com cada um, sem a distancia da hierarquia que traveste o encontro. A partir deste lugar de acolhimento sem julgamento eu pude florescer meu ser.
Agradeço toda a beleza que pude ver nos centros das rodas, sempre criados com um carinho especial, como se cuida de um filho. Flores, luzes, arte de toda sorte, cores de tantos sabores. Fecho os olhos e passeia por minha memória um mosaico de histórias repleto de encantamento. Foram centenas? Milhares? Não sei... foram tantas rodas e nenhuma igual, sempre um convite novo para respirar beleza...
Agradeço a sorte – muita sorte! – de ouvir centenas de musicas de
qualidade. Passeei por ritmos dos mais diferentes, vozes de mulheres,
homens e crianças, instrumentos desconhecidos, idiomas estranhos e
convidativos. Perdi o fôlego com algumas canções que tocaram minha alma com tamanha intensidade que faltaram palavras para agradecer. Rubem Alves escreveu que quem tem música nunca está sozinho. Quantas vezes – já perdi a conta! - foram as músicas das Danças Circulares que me acalentaram no banho, no carro, na praia, na rede, no metrö, no mar, no transito e em tantos momentos que me fizeram deslizar pelo meu cotidiano com arte em vez de sucumbir à rotina.
Agradeço todas as danças. Quantos gestos novos eu experimentei!
Rodopios que me desequilibraram para me levar a outro equilíbrio.
Aberturas que expandiram meu peito e acordaram minhas costas.
Delicadezas com as pontas dos pés e encontros com as pontas dos dedos das mãos. Olhares que mergulharam fundo na luz. Danças antigas ou contemporâneas que me transportaram para novos templos internos que eu desconhecia completamente. Uma fonte inesgotável de riqueza. Valor sem fim.
Agradeço as amizades. Mais do que amigos, ganhei uma família. Sei que onde eu estiver, em qualquer parte do mundo, se eu entrar em uma roda de Danças Circulares serei acolhida. E mesmo fora das rodas, quando encontro alguém deste mundo nas ruas, sinto uma irmandade difícil de explicar, mas tão fácil de perceber. Tenho amigos que são como irmãos e foi a Dança Circular que me trouxe.

Agradeço ao Movimento, essa mágica de ir e vir, que embala e carrega o melhor dos mundos num tempo-espaço de quietude. O movimento que faz com que tudo aconteça, para além da zona de conforto, convidando às experiências de cidadania, inclusão, união, cooperação e transformação.
Agradeço a cada pessoa que dei as mãos, dancei junto, olhei, sorri, percebi e espelhei. Em cada universo, tanta história para honrar! Um jardim humano de incontável beleza, que me ensina diariamente sobre minha pequenez e sobre minha grandeza.
Agradeço aos guardiões das Danças Circulares Sagradas. Todos aqueles que cuidam com respeito, amor e dedicação por sua continuidade de forma alegre, profunda, consciente, verdadeira e sagrada. Para que as raízes sustentem e as asas expandam, sempre com equilíbrio e sabedoria.
Agradeço toda a natureza que participa de nossas rodas em tantos momentos. Árvores centenárias, flores, cachoeiras, praias, cigarras, beija-flores, cachorros e gatos que gostam de ficar no centro (por que será?). E toda a nossa natureza que acorda quando dançamos, conectando com a simplicidade presente em todas as formas de vida.
Por fim, agradeço quem pude ser. Toda arte, maestria, talentos e luz que este grande abraço circular me permitiu desabrochar. Hoje sou outra, embora seja tão eu mesma, como nunca antes. Mistérios que só quem vive a magnitude do círculo consegue entender. O meu desejo é que a cada dia, mais e mais pessoas possam sentir esta gratidão. E por isso eu danço, crio, canto, fotografo, organizo, apoio, focalizo e escrevo. Por isso também vale a minha vida.

(Esse texto faz parte do meu livro "A prática da Gratidão" e em março de 2026 ele ganhou uma dança especial. Quando eu estava no Chile, na Casa Piuke (espaço dos queridos Andrés e Maxi), um dia antes de focalizar o WS Dançando a Gratidão, essa dança nasceu em mim em 10 minutos de pura fluidez e emoção. Agora ela integra esse trabalho, como uma forma de agradecer profundamente essa prática integrativa que transforma tantas vidas.)


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