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A Dança da Abundância

A escassez sempre ronda nossas vidas. Este texto traduz uma decisão de escolher conectar com a abundância e dançar sua dança, até mesmo nos momentos mais difíceis.


Publicado em 04/12/2014

Deborah Dubner


Tenho pensado e conversado muito sobre a atitude que tenho em relação à abundância. É muito fácil conectar com a escassez. Constantemente somos invadidos pela sensação de falta de tempo, recursos financeiros e naturais, beleza, saúde, esperança.

Quando somos assediados por este sentimento, é como um aspirador que drena nossa energia para um buraco fundo dentro de nós mesmos. É muito ruim! Já visitei muitas vezes esta caverna escura que me habita. Pode não parecer, porque eu escolhi a atitude da gratidão para guiar meus passos. Mas isso não quer dizer que a escassez não visite constantemente os meus pensamentos e sentimentos. Ela é ousada e cheia de artimanhas para mostrar que a vida é dura. Bate na porta com seu toctoc seco, tirando as cores das flores e chamando para uma realidade aparentemente opaca.

Eu não gosto de conectar com essa senhora escassa. Prefiro encontrar o brilho das estrelas. Quem olha o céu e todo o seu infinito azulado não tem como não acreditar em abundância. Ou então... Basta olhar as flores, com suas cores e aromas, para entender que é na diversidade que mora a beleza. E na beleza... a plenitude! Onde tem plenitude não há medo. Onde não há medo, não há escassez.

Eu acredito muito que gentileza gera gentileza, que a vida não é feita de trocas do tipo "toma la da cá". Acredito que a abundância vem das atitudes que exercitamos e que o universo responde com generosidade. A vida é plena quando vivemos na energia da abundância.

Mas à vezes não é assim que acontece. A gente se decepciona. Duvidamos do caminho. Temos a sensação que o buraco negro vai nos tragar e vamos voltar para aquele lugar onde as águas não fluem, a terra é árida, o fogo consome e o ar fica faltando. Mas é só às vezes!

Vou aprendendo que o sol nasce todos os dias e me convida a um novo olhar para cada amanhecer. Vou aprendendo a lição no silêncio da minha dor. Ilumino as sombras, amplio os espaços interiores e preencho com ar os meus vazios. Com a maturidade, me chegam as lições mais sábias do silêncio e do tempo, grandes mestres! Um dia após o outro, sem jorrar minha incompreensão nos que me rodeiam. Acolher a dúvida com amorosidade e confiança. Acalentar o incômodo e esperar que sua luz acorde aquilo que não consigo ver ainda. O plantio é longo, a colheita é apenas a resposta de cada semente.

Que eu consiga escolher sempre a Dança da Abundância! Que meus pés pisem suavemente nas asas que me libertam da escassez. Que a pausa seja ritmada no encontro. Que as respostas cheguem para ampliar e não para trancafiar certezas. Que o medo se dissipe na música que me embala. Que a plenitude que eu sinto quando danço jorre confiança para todos os momentos de minha vida, até mesmo os mais obscuros. Porque a dança da abundância é linda e pode transformar o mundo! 

 


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